A desconstrução da pobreza: um desafio à inteligência
Evandro Brandão Barbosa
Escrito em 25/02/2011.
A história da Humanidade tem revelado que a pobreza, seja ela absoluta ou relativa, é um processo construído social, política e historicamente. Porém, individualmente, há chances de desconstruir a pobreza continuamente construída política e socialmente.
A pobreza, portanto, é o resultado da falta de estruturação das condições individuais (formação, educação continuada, orientação, disciplina para o trabalho, desenvolvimento de inteligência, capacitação e preparo para o trabalho, capacidade de transformar informações em ações práticas e objetivas, obtenção de renda acima da necessária para satisfazer necessidades básicas). Com essa grande quantidade de itens entre os parênteses consegue-se entender o quanto cada pessoa precisa estar atenta para não construir a sua própria pobreza; inicialmente essa atenção é somente dos pais, e para isso devem orientar suas crianças; num segundo momento, após a adolescência, a própria pessoa já orientada torna-se responsável pelo processo de fazer escolhas inteligentes e, assim, mesmo com todas as imperfeições dos sistemas econômico, social, político e cultural, de onde viva, precisa conseguir tomar decisões que o afaste da pobreza. Isso não é fácil, porque há uma tendência muito forte de a pessoa seguir os instintos animais, fortemente de sobrevivência, cujas prioridades se relacionam com a busca de alimentação e habitação, e satisfações emocionais, e permanecer apenas nesse nível; mas o tempo passa, o organismo se altera e a energia gasta instintivamente no início da vida nem sempre será a mesma com o passar do tempo.
A construção da pobreza pode ser também uma continuidade da pobreza familiar. Assim, famílias pobres que não conseguem se desvencilhar das próprias dificuldades terminam, em alguns casos, gerando filhos que, por falta de orientações, terminam também mantendo os mesmos hábitos e costumes de construção de pobreza dos seus antepassados; logo, continuam sem ter atitude; não têm disposição para a vida; preferem o descanso do que as aprendizagens para se manterem ativos; não estudam; fazem filhos na pré-adolescência ou durante a adolescência, sem qualquer estrutura para formá-los e educá-los. Ou seja, tratam a vida como se fosse uma eterna festa, eterna busca do prazer, porque acreditam que forças superiores proverão as suas necessidades. Na verdade, constroem a pobreza sem a consciência do que estão a fazer.
Uma vez instalada a pobreza, as dificuldades para
distanciar-se dela serão muitas também. Isso significa o seguinte, se a pessoa
tem mais de 30 anos de idade e não tem uma profissão ou ocupação; não tem renda
capaz de pagar pelos custos das necessidades básicas e ainda possa satisfazer
outras necessidades, tenha filhos ou não; não tenha visitado os bancos
escolares pelo menos para aprender os fundamentos da leitura e da escrita, de
forma a poder compreender dados e transformá-los em informações para as suas
tomadas decisão. Com todas essas dificuldades, a pobreza já se instalou e
ficará complicado livrar-se de tudo isso rapidamente, principalmente se as
doenças começarem a surgir.
Quando alguém pergunta se há condições de se afastar da pobreza, considerando-se que ela já esteja instalada na vida da pessoa e/ou da família, a resposta é positiva. Sim, há condições de se afastar da pobreza. É preciso fazer tudo, de agora em diante, diferente da maneira como sempre foi feito. Mudanças radicais nos comportamentos, nas escolhas, nas ações, nos costumes, nos assuntos de interesse, nos lugares que se frequentava antes. Alterações totais, como por exemplo: se não tem o costume de trabalhar, começa-se a trabalhar; se não gosta de estudar, passa a estudar para aprender a gostar; se adora viver na esbórnia, procura se disciplinar para reduzir o tempo dedicado a isso; se gosta muito de bebida alcoólica, é hora de começar a diminuir a bebida e talvez até mesmo deixá-la; se tem muitas amizades que somente lhe aproximam da pobreza, é hora de começar a reduzir o contato com essas pessoas; se está acostumado a gastar acima das suas possibilidades financeiras e só vive endividado, é hora de repensar esse nível de consumo.
No livro 'A natureza da pobreza das massas', publicado no Rio de Janeiro, pela Editora Nova Fronteira, em 1979, John Kenneth Galbraith escreveu, nas páginas 61 e 62: "temos observado as forças que atuam no sentido de um equilíbrio da pobreza - que fazem com que esta se perpetue e que restaura o nível anterior de penúria ou algo que se lhe aproxime, quando há um melhoramento temporário. Mas nada reforça mais esse equilíbrio do que a falta de aspiração - a ausência de um esforço para fugir a essa situação. Na comunidade rural pobre a aspiração entra em conflito com um dos elementos do comportamento humano mais profundo e mais previsível, que é a recusa de lutar contra o impossível, a tendência a preferir a resignação à frustração". Assim, quando um pobre consegue melhorar a sua penúria por um tempo, logo assume procedimentos que lhe fazem retornar ao estado de pobreza anterior e assim tende a perpetuar a pobreza na sua vida.
Bem, depois de um texto imenso desse, politicamente
incorreto para fazer parte de um Blog, pode-se concluir que
pelos menos uma ideia serve para mudar alguns comportamentos. A
ideia de que é preciso fazer ESCOLHAS INTELIGENTES. É preciso criar e redefinir
horizontes continuamente.
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