Como é bom brincar

 Evandro Brandão Barbosa

Escrito em 14/12/2008.

Está aí um tema instigante para pesquisa: como é (bom) brincar. Não há idade limite ou qualquer outra restrição quando o verbo é brincar. Há brincadeiras tão diferentes quanto a variedade de aparências físicas das pessoas. Pular corda, abecedário, jogar pinhão, fura pé, polícia e ladrão, médico, boneca, esconde-esconde, quebra-pote, pau-de-sebo, cabra-cega, xadrez, baralho, damas, pular carniça, jogar gudes, meu-e-seu, prende-e-solta, picula, guerreou, triscou-pegou, queimada, baleou, peteca, pula-macaco, o-que-é-o-que-é, roda, chicote queimado, jogo da velha, par-ou-ímpar e por aí vão muitas outras brincadeiras. Muitas amizades verdadeiras são iniciadas e construídas durante as brincadeiras.

Imagino a viagem dos seus pensamentos, ao relembrar os tempos que brincar era a sua única atividade além de estudar. Por outro lado, no seu imaginário também há tantas outras brincadeiras não citadas neste texto; brincadeiras que lembram tantas pessoas e cenários. Imagino o quanto você aprendeu enquanto brincava; o quanto descobriu, o quanto ensinou, o quanto sorriu. Talvez tenha chorado quando impedido de brincar.

Brincar ainda é um dos grandes segredos da aprendizagem – de qualquer aprendizagem. Nem sempre brincar envolve uma bola, uma raquete ou um brinquedo fabricado e comprado. As formas, os meios e o momento de brincar não se moldam em estruturas pré-estabelecidas; o brincar sai de dentro da cabeça das pessoas e o corpo somente acompanha, porque é bom, faz renovar as energias, irradia alegria no ambiente, seja ele fechado ou aberto.

Brincar é tão bom que até em pensar na brincadeira faz bem à mente e ao corpo. Por isso, brinque mais vezes em sua vida, principalmente se você já aprendeu como gerar renda para satisfazer necessidades básicas individuais e familiares; então, não se trata mais de correr atrás do pão-de-cada-dia, mas de sustentar um padrão de vida adequado à renda e à cultura. Aperfeiçoe-se profissionalmente para elevar o seu padrão de vida e brinque mais.

Sabendo como é (bom) brincar, há necessidade de valorizar as brincadeiras, seja entre crianças ou adultos, fim-de-semana ou durante a semana; há tempo para tudo, inclusive para brincar. Enganam-se as pessoas que pensam não existir desenvolvimento mental, motor, ético, social, político e cultural durante as brincadeiras. Muitas vezes aprende-se muito mais ao brincar do que ao permanecer sentado no interior de uma sala de aula, enquanto professor ou professora copia do livro para a lousa, o mesmo texto existente no livro do aluno.

Aliás, os professores deveriam priorizar metodologias que contivessem duas características básicas: sedução e brincadeira (entretenimento). Ao apresentar um conteúdo de aprendizagem aos alunos, o professor deveria mostrar esse conteúdo como algo que seduzisse os alunos; provocasse o interesse, a curiosidade de todos, o desejo de querer aprender. De igual forma, o conteúdo de aprendizagem deveria ser envolvido em uma brincadeira, um entretenimento, algo sutilmente lúdico que desarmasse as resistências dos alunos e, no clima de brincadeira, a aprendizagem se efetivaria. Trata-se de uma estratégia, metodologia adequada aos tempos atuais, pois quando o assunto é brincadeira não tem idade e nem nível educacional, muito menos local ou momento, o que muda é a maneira de brincar.

Depois de toda essa brincadeira que é escrever, deixo uma dica: evite brincadeiras sem graça. A propósito, existe uma brincadeira muito sem graça nas escolas e até nas faculdades. Tem alunos que brincam de “colar” durante as avaliações; depois não aprendem e ficam desempregados ou só conseguem trabalhar por baixos salários. Esse tipo de brincadeira não tem qualquer graça.

Assim, para brincar é necessário repensar rotinas e mudar o ângulo de visão diante dos interesses da vida. Se as brincadeiras são formativas, então as crianças que brincam desenvolvem habilidades, competências e conhecimentos úteis durante toda a vida. No entanto, como não há idade para as brincadeiras, os adultos que nunca deixam de brincar usufruem da utilidade das brincadeiras e experimentam mais momentos de felicidade.

Depois de todas as viagens mentais durante a leitura deste texto e lembrar de tantas brincadeiras, agora é hora de brincar. Escolha a brincadeira e com quem brincar, porque brincar sozinho também não tem muita graça.

 


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