Aspectos da Realidade Amazônica

 

Aspectos da Realidade Amazônica

Evandro Brandão Barbosa

 

A Região Amazônica é território geográfico caracterizado por aspectos naturais, ecológicos, sociais, ambientais, econômicos, culturais, políticos, éticos, jurídicos, institucionais, tecnológicos, étnicos, científicos e logísticos. Aspectos que podem ser considerados comuns a qualquer outro território geográfico. No entanto, sem recorrer ao juízo de valor de atribuir especialidade à Região Amazônica, os aspectos que a caracterizam desdobram-se em muitos outros, esses não tão comuns a outros territórios.

A Região Amazônica é internacional e por isso denominada Panamazônia; é também brasileira, chamada Amazônia Legal; e ainda, é regional e plural, quando classificada como Amazônia Ocidental (abrange os estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima) e Amazônia Oriental (Amapá, Maranhão – a partir do meridiano 44 graus, Mato Grosso, Pará e Tocantins).

A Região Amazônica, enquanto objeto social pré-construído, torna-se mutilada quando os aspectos considerados se limitam aos naturais, ecológicos, ambientais, étnicos e políticos. Porque a Região Amazônica real é de complexidade sistêmica; não se trata de território simples e muito menos de uma fonte de entidades e de recursos naturais que deve ser preservada e protegida, em razão de suas potencialidades quanto aos aspectos da Biologia e da Mineralogia, do Ambientalismo, da hidrografia, da fauna e da flora.

Portanto, o objeto social pré-construído como Região Amazônica, presente no consciente coletivo de parte significativa da população brasileira é de um território potencialmente rico de natureza e exoticidade. A Região Amazônica é tudo isso; porém, é ainda muito mais. É pesquisa científica, é indústria de transformação, é robótica em evolução. As ideias equivocadas de como é a Região Amazônica têm massificado o consciente coletivo dos que vivem fora da Região; tratam-se de construções de um território que não comporta as diferentes populações habitantes das diferentes Amazônias (Panamazônia, Amazônia Legal, Amazônia Ocidental e Amazônia Oriental); não comporta também os saberes tradicionais dos povos (Indígenas, Quilombolas, Ribeirinhos) que habitam a Região, o nível das tecnologias sociais e outras já apropriadas pelos habitantes do território Amazônico, tecnologias que os têm habilitado a viver e conviver na Região, com interação local e ações globais.

A Região ou o território Amazônico não é somente ambiente com potencial para o amanhã, para depois; o território Amazônico é hoje, no presente, porque tem um passado, uma história construída por seres humanos antes de os europeus aportarem na América do Sul, e especificamente antes de aportarem nas terras hoje denominadas Brasil.

Assim, aprender os aspectos da realidade amazônica é construir aprendizagens ainda reservadas ao universo da pesquisa científica; é popularizar o conhecimento real da Região Amazônica. Portanto, é conveniente manter-se flexível quando pensar sobre a Região Amazônica. Convém desconstruir a Amazônia que a mídia tem construído nos pensar das pessoas; construção que mais as afastam dos aspectos da realidade Amazônica do que as aproximam das condições da vida humana e das interações construídas na Região para a realização de práticas sociais. É preciso desconstruir as ideias de Amazônia que muitas pessoas pensam conhecer, e por isso veiculam histórias fantasiosas e midiáticas sobre o território Amazônico, distantes das histórias de vida dos habitantes da região, apartadas do que é real na Amazônia e aproximadas do que interessa àqueles que só veem a Região Amazônica como fonte de reprodução do capital, que não tem pátria e muitas vezes não é ético.

A Amazônia não é o pulmão do mundo – isso é mito; e muito menos a Amazônia é o futuro do Brasil, seja qual for o contexto desse futuro imaginado ou prospectado por algumas pessoas. A Amazônia é sociedade, é vidas humanas, cidades, estados, Região e países. E, portanto, a Amazônia é Plural, Amazônias.


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